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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A contribuição da norte-rio-grandense Nísia Floresta para a conquista do voto feminino no Brasil

“Por que [os homens] se interessam em nos separar das ciências a que temos tanto direito como eles, senão pelo temor de que partilhemos com eles, ou mesmo os excedamos na administração dos cargos públicos, que quase sempre tão vergonhosamente desempenham?”, Nísia Floresta


A conquista do direito ao voto feminino no final dos anos 1920 teve grande destaque na sociedade e nos jornais do estado, graças à luta da norte-rio-grandense Nísia Floresta, tendo grande repercussão no país. Não satisfeitas apenas em votar, as mulheres lutaram também pelo direito de serem votadas. E mais uma vez o RN foi pioneiro no Brasil com a eleição da prefeita de Lajes, Júlia Soriano, conhecida em todo país.

Dionísia Gonçalves Pinto nasceu em Papari (hoje Nísia Floresta), era escritora e estreou como articulista em 1831; abolicionista, republicana, feminista e poeta, viveu quase três décadas na Europa, comunicando-se de perto com os intelectuais da época; educadora, fundou os colégios “Brasil” e “Augusta”, no Rio de Janeiro; tida como uma das mulheres mais importantes da história do RN, sob o pseudônimo Nísia Floresta Brasileira Augusta.

A escolha de seu pseudônimo revela sua personalidade excêntrica: Floresta, referindo-se ao sítio onde nasceu; Brasileira, referindo-se à necessidade da afirmação de seu nacionalismo; e Augusta, em homenagem a seu companheiro (Manuel Augusto). Para Gilberto Freyre, Nísia Floresta era “uma exceção escandalosa” ao comportamento característico das mulheres de seu tempo: “Verdadeira machona entre as sinhasinhas dengosas do meado do século XIX. No meio dos homens a dominarem sozinhos todas as atividades extra domésticas, as próprias baronesas e viscondessas mal sabendo escrever, as senhoras mais finas soletrando apenas livros devotos e novelas […], causa pasmo ver uma figura de Nísia”.

O pensamento de Nísia foi fortemente influenciado pelo filósofo Augusto Comte, pai do positivismo, com quem conviveu durante suas viagens à Europa. O pensamento positivista entendia as mulheres como importantes figuras sociais, dotadas de uma “identidade positiva” fundamental para o crescimento das sociedades.


Sugestão de atividades: (5º  ao 9º ano)

1ª etapa

Faça uma explanação sobre a trajetória para a conquista do voto feminino no Brasil, dando ênfase a história de Nísia Floresta. Comente que Dilma Rousseff é a primeira mulher a ser eleita presidente da república na história do Brasil. Pergunte aos alunos se conhecem o nome de outras mulheres que desempenham funções políticas (ministras, senadoras, governadoras, deputadas, prefeitas ou vereadoras) em nosso país. Se possível, cite o nome de algumas mulheres que ocupam cargos políticos na cidade ou no estado.

Explique aos alunos que a atual participação política da mulher no Brasil foi resultado de muita luta e manifestações. Para auxiliar sua explicações e seu comentários leia do texto do professor José Eustáquio sobre os 80 anos do direito de voto feminino no Brasil. (Disponível em: http://www.enfpt.org.br/node/413).

2ª etapa

Proponha aos alunos a produção de um texto coletivo no caderno sobre a trajetória da participação política da mulher no Brasil, desde as primeiras manifestações no final do século XIX até a crescente participação feminina nas últimas eleições.

Objetivos específicos:
- Conhecer a trajetória e participação política da mulher no Rio Grande do Norte e no Brasil.
- Compreender que o direito do voto feminino no Brasil foi uma conquista das manifestações das mulheres brasileiras.

Materiais de apoio:
- Computador com acesso à internet.
- Projetor multimídia (opcional).


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
PINHEIRO, Carlos Sizenando Rossiter. PINHEIRO, Fred Sizenando Rossiter. DOS BONDES AO HIPPIE DRIVE-IN: Fragmentos do cotidiano da cidade do Natal. Natal: Associação Brasileira das Editoras Universitárias, 2009. pg. 27-29.

FLORESTA, Nísia. Direitos das mulheres e injustiça dos homens. São Paulo: Editora Cortez, 1989.



Postagem de Thaís Maranhão (thaís.fly74@yahoo.com.br)

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Dicas para montar e aproveitar uma aula num centro histórico

1. Prepare o passeio: A fase de preparação é, talvez, a mais importante, pois é a que envolve todas as expectativas da criança. Procure informações na internet, em mapas, em livros (temos aí uma boa oportunidade para visitar uma biblioteca também!).

2. Busque referências: Se você vai visitar o centro histórico da sua cidade, uma etapa importante é buscar as histórias das pessoas que viviam lá. Onde moravam? Onde trabalhavam? Como era o seu estilo de vida? Que meio de transporte utilizavam? Busque respostas para essas perguntas em jornais antigos, documentos e, claro, conversas com os moradores. Levar a criança para bater um papo com um morador antigo do bairro antes ou depois do passeio pode ser muito interessante. Assim, ela poderá fazer as próprias perguntas e sanar as suas curiosidades.

3. Documente tudo: é importante que você e os alunos documentem tudo juntos - desde o planejamento até as conclusões a que chegaram depois da visita. Antes: vocês podem organizar um diário, com os lugares que vão visitar e anotações do que já sabem sobre eles. Durante: é hora de tirar fotos e anotar o que encontrarem de interessante - desde a data de construção de um prédio antigo até a explicação ao lado de um quadro num museu. Depois: vem a parte da organização. É hora de selecionar as melhores fotos, imprimi-las e montar um álbum ou cartazes com legendas, para que a turma nunca esqueça o que viu. E é bom lembrar: o ato de documentar, além de deixar uma boa lembrança do passeio, incentiva a criança a praticar a escrita.

4. Caminhe: O melhor jeito de conhecer um centro histórico é caminhando. Nada de carros ou ônibus. Andar a pé, observando a arquitetura e as construções antigas, proporciona uma vivência muito mais interessante do que entrar e sair correndo de museus e centros culturais.

5. Faça perguntas: Num passeio num centro histórico, os adultos têm o papel de incentivar a reflexão entre as crianças. Diante de um prédio antigo, pergunte o que elas acham dele, se acham bonito ou feio. Ao observar a estátua de alguém, pergunte se elas sabem quem foi essa pessoa e se elas acham que a pessoa realmente merece um monumento. Ao andar por uma rua de paralelepípedos, faça-as observar como era o calçamento de antigamente. É importante, enfim, fazer que elas reflitam sobre o que estão vendo, para que, assim, possam entender também a cidade em que vivem. Lembre-se, no entanto, de adaptar esse momento de reflexão para a idade das crianças ou dos adolescentes. Diante de uma estátua, por exemplo, é possível agir de duas maneiras: com os menores, peça que eles identifiquem os elementos presentes na mesma; com os mais velhos, uma abordagem possível é falar sobre a época em que viveu a pessoa retratada.

6. Siga os interesses dos alunos: Lembre-se sempre que o passeio é um momento de lazer e aprendizagem para os seus alunos. Peça a opinião deles e tente priorizar atividades do seu interesse. Tudo bem que há um museu histórico muito interessante justamente onde vocês estão, mas os seus alunos não param de falar que querem ver uma estátua numa praça que está a um quilômetro de distância? Siga a vontade deles. A criança e o adulto não entendem a História da mesma maneira. É importante descobrir quais são os interesses da criança.

7. Compare o passado e o presente: Uma cidade é do jeito que é por causa de seu passado, de sua história. O Centro de Natal tem casarões suntuosos, por exemplo, porque já foi a parte mais rica da cidade. Hoje, no entanto, é uma área um pouco degradada. Por quê? Para onde foram as pessoas ricas que ali moravam? Como foi esse processo de degradação? Por meio de fotos, que podem ser encontradas na internet ou em bibliotecas, é possível ver a cidade em períodos diferentes e fazer essa comparação. Mas é importante não idealizar e achar que o passado era como em algumas novelas das seis. Também havia pobreza e conflitos sociais.

8. Prove comidas típicas: É claro que um passeio como esse - em que o ideal é andar a pé - é bastante cansativo e vocês vão precisar fazer uma pausa com as crianças. Se possível, faça isso quando bater a fome e aproveite para comer algo típico e, assim, continuar falando de História com seus alunos. É importante falar das ideias, da culinária, da cultura do povo. Toda cidade ou região tem uma comida que faz parte da sua história. Aproveite para prová-la nesse passeio histórico com o seus alunos! 

Postagem de Thaís Maranhão (thaís.fly74@yahoo.com.br)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS:
REVISTA EDUCAR PARA CRESCER
REVISTA NOVA ESCOLA

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O patrimônio histórico e o ensino da história

Investigação sobre os monumentos, estatuária e toponímia

A pesquisa sobre os diferentes monumentos, a estatuária e a toponímia local, em todos os anos da escola fundamental e de ensino médio, pode contribuir para melhor conscientização do valor do patrimônio histórico, bem como enriquecer o conteúdo trabalhado em sala de aula.


Atividade sugerida

            Com o seu grupo de sala de aula, organize um estudo sobre algum monumento, alguma estatuária ou toponímia de sua localidade, seguindo esses passos:

1. Pesquise e escolha um edifício histórico, um monumento e uma rua ou praça de sua localidade para realizar um estudo sobre o patrimônio escolhido.

2. Organize uma visita de estudo ao monumento escolhido, não se esquecendo de:

a) Prepare um roteiro para a visita.
b) Organize uma ficha de trabalho.
c) Selecione material a respeito do local.
d) Se possível, leve uma máquina fotográfica para fotografar o monumento e um gravador para entrevistar algumas pessoas.

3. Prepare uma forma de apresentação final do trabalho realizado pelo grupo. Pode ser um relatório, um cartaz ou uma apresentação oral em sala de aula.

Postagem de Thaís Maranhão (thais.fly74@yahoo.com.br)



Referências bibliográficas


SCHMIDT, Maria Auxiliadora. CAINELLI, Marlene. Ensinar História. SP: Scipione, 2010. 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

História local e o ensino da História

Possibilidades de trabalho com a história local

- O trabalho com a história local pode produzir a inserção do aluno na comunidade da qual faz parte, criar a historicidade e a identidade dele.
- O estudo com a história local ajuda a gerar atitudes investigativas criadas com base no cotidiano do aluno, além de ajudá-lo a refletir acerca do sentido da realidade social.
- Como estratégia pedagógica, as atividades com a história local ajudam o aluno na análise dos diferentes níveis de realidade: econômico, político, social e cultural.
- O trabalho com espaços menores facilita o estabelecimento de continuidades e diferenças com as evidências de mudanças, conflitos e permanências.
- O trabalho com a história local pode ser instrumento idôneo para a construção de uma história mais plural, menos homogênea, que não ignore a multiplicidade dos elementos que constituem a História.


Sugestões para o trabalho com a história local

No âmbito da História Local sugerimos o trabalho com edifícios históricos, monumentos e/ou estatuária e com a toponímia.

Segue abaixo algumas indicações.

Edifícios históricos – No trabalho com os edifícios históricos deve levar em atenção o nome, localização, data de construção, bem como o nome das pessoas e/ou empresas envolvidas na construção, as causas da construção, função do edifício e estilo. Deve atentar  a uma descrição de detalhes relativos à construção, como vitrais, inscrições e ornamentos e à relação do edifício com a história local, nacional e universal.

Monumentos e/ou estatuária - No âmbito do trabalho com monumentos e estatuária, deve atentar nos personagens ou fatos representados no monumento, bem como no tipo de monumento, não descurando as características materiais simbólicas, localização, data, nome do criador e as razões da construção. Além disso, estabeleça a relação do edifício com a história local, nacional e universal.  

Toponímia – Faça um inventário e classificação dos topônimos, como os relativos ao cotidiano da cidade, figuras ou personagens da vida da cidade ou da história em geral, relacionados a acontecimentos relevantes ou atividades locais. Pesquise sobre a evolução dos topônimos (como eram no passado e como são no presente).

Postagem de Thaís Maranhão (thais.fly74@yahoo.com.br)



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
SCHMIDT, Maria Auxiliadora. CAINELLI, Marlene. Ensinar História. São Paulo: Scipione, 2010.