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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Os banhos na Idade Média

Geralmente quando pensamos na Idade Média, imaginamos uma época suja, cheia de doenças e pestes. Mas, na verdade, as coisas não foram bem assim.
Apesar da cultura monástica medieval associar o banho ao pecado (pois era visto como vaidade), a partir do século XIII a mentalidade sobre a higiene começa a mudar. Integra-se ao cotidiano dos homens medievais, banhos, saunas e termas.
Os registros da época relatam que além dos banhos públicos, havia também banhos privados com banheiras ou tinas instaladas dentro do quarto. Para a limpeza, usava-se água quente, sabão, sais e perfumes.
Os médicos incentivavam essa prática, afirmando que os banhos possuíam propriedades terapêuticas.
No final da Idade Média, a peste negra que assolou a Europa mudou a visão com relação aos banhos. Os médicos não o recomendavam mais por ser considerado um meio de contágio da doença.
A Igreja também reforçou o repúdio à prática por vê-la como incentivo à prostituição, já que nos banhos coletivos misturavam-se homens e mulheres.
Assim, termina a idade de ouro dos banhos e entra em cena a preferência por perfumes e pós para eliminar a sujeira e disfarçar o mau cheiro.

Dicas para o professor:
1. Utilize a curiosidade dos banhos com seus alunos do ensino médio para desmistificar a visão negativa que muitas vezes perdura sobre a Idade Média.
2. Ajude a mãe de seus alunos do ensino básico e aproveite para reforçar a importância de tomar banho. Ah, lembre-os também que não se deve desperdiçar água!

Até breve,
Gláucia Dias.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

História e Poesia: Uma reflexão acerca da História Indígena a partir da "Canção do Tamoio", de Gonçalves Dias

Atividade destinada aos alunos do Fundamental II

        Um dos papeis fundamentais da História é a sua capacidade de construir e desconstruir conceitos criticamente. Assim sendo, faz parte do trabalho do profissional de História, bem como do próprio professor de tal disciplina escolar, promover tal reflexão sempre que surgir a possibilidade de fazê-lo. 
  No caso específico dos docentes, uma boa oportunidade de realizar tal tarefa com seus alunos se dá nas datas comemorativas. Nessas ocasiões, o professor pode aproveitar para discutir temas específicos e também estimular a reflexão dos discentes acerca de aspectos de nossa cultura que muitas vezes são internalizados erroneamente ao longo dos anos de aprendizagem escolar. 
  No post de hoje, veremos como se pode, por exemplo, trabalhar o "Dia do Índio" (19 de Abril) nas classes do Ensino Fundamental II. Nessa aula, o professor enfatizará e promoverá o debate sobre a visão que foi construída acerca do indígena brasileiro, procurando retirar da mesma a carga de romantismo e superficialidade que, infelizmente, foi posta sobre a sua imagem ao longo dos anos. Para tal, trazemos uma atividade que envolve o poema "Canção do Tamoio", de Antônio Gonçalves Dias.

1) Leitura coletiva: Leia o seguinte trecho juntamente com seus alunos:

Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.

E pois que és meu filho,
Meus brios reveste;
Tamoio nasceste,
Valente serás.
Sê duro guerreiro,
Robusto, fragueiro,
Brasão dos tamoios
Na guerra e na paz.

Porém se a fortuna,
Traindo teus passos,
Te arroja nos laços
Do inimigo falaz!
Na última hora
Teus feitos memora,
Tranquilo nos gestos,
Impávido, audaz.

2) Abra espaço para a discussão: Após realizar a leitura coletiva do poema, incentive os seus alunos a dizerem a opinião deles sobre a visão do índio Tamoio que é construída no texto. À  medida que as interpretações surgirem, dê maior destaque àquelas que enfatizam uma visão heroica do indígena, como sendo um indivíduo resistente e guerreiro. 

3) Peça uma pesquisa e proponha uma atividade: Feita a discussão sobre a visão do índio apresentada no poema, leve para a sala de aula textos que mostrem a situação do nativo brasileiro ao longo da colonização, destacando a escravização da qual esses povos foram vítimas. O livro didático também poderá ser usado para essa parte da pesquisa. Depois, leve textos que foram publicados em revistas e jornais e que mostram a atual situação dos povos indígenas e sua luta pela própria terra. Em posse de tal material, incentive a pesquisa e proponha uma atividade escrita que o aluno deverá fazer com base nos textos que tem à sua disposição. Tal tarefa pode ser um questionário ou a realização de uma redação, porém em ambas as propostas o professor deve incentivar que o aluno faça a ligação entre a história do índio e a sua atual realidade.

4) Retorne ao poema: Depois da discussão inicial e da pesquisa sobre a realidade enfrentada pelos indígenas aos longos dos anos, retorne ao poema de Gonçalves Dias. Agora, os alunos terão maior bagagem de conhecimento e capacidade para fazer uma nova interpretação da obra. Promova uma nova discussão na qual os estudantes terão a oportunidade de expressar aquilo que aprenderam com a pesquisa feita. Esse é o momento de desconstruir a tradicional visão que os alunos poderiam ter acerca dos povos indígenas e construir uma nova imagem dos mesmos, sendo esta baseada na realidade deles, da mais antiga à mais atual, e não preconceitos que, ao longo da história, foram sendo construídos em relação aos nativos brasileiros.

Postagem de Suzana Sabino (suzana_sabino@hotmail.com)

Referência bibliográfica:
SOUSA, Rainer. A trajetória dos índios e a "Canção do Tamoio". Disponível em: <http://educador.brasilescola.com/estrategias-ensino/a-trajetoria-dos-indios-cancao-tamoio.htm>. Acesso em: 24 nov. 2014.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Hildegard von Bigen, uma "doutora da Igreja" medieval.

Hildegard von Bingen por Morgan Ungerott

Você sabia que na História da Igreja, somente quatro mulheres possuem o título de Doutoras da Igreja? Entre elas, a mais recente recebedora da honraria é a abadessa de Rupertsberg, Hildegard von Bigen, nascida em 1098 d.C.

Sua notoriedade se deu principalmente por suas habilidades e publicações na medicina e botânica, descrevendo e classificando patologias e remédios, sempre relacionando as partes do corpo ao espírito, e utilizando alegorias para relacionar os órgãos, como por exemplo associar o movimento do espírito humano ao cérebro.
Apesar de seus diagnósticos médicos restringirem-se ao parâmetros medievais, Hildergard destaca-se por sua visão global do homem: ela enfatizava não só a importância de tratar a doença, mas defendia uma mudança no estilo de vida tanto para erradicá-la como para prevenir futuros males.

Mesmo sem ter título de médica, Hildegard von Bigen era uma curandeira notável, e sem dúvida suas contribuições foram importantes não só para a Igreja como para o estudo da história e da medicina nos tempos medievais. 
Além disso, ela é tida como representante do feminismo católico no início do primeiro milênio, por dar liberdade às monjas de seus mosteiros, que exerciam atividades de composição, estudo das ciências naturais e escrita.




Dicas para o professor:
1. Nas classes do ensino médio, você pode trazer outras personalidades femininas de destaque na Idade média. Pegue o material, divida os alunos em grupos, e peça para cada equipe, após uma breve leitura, compartilhar com a sala sobre sua personagem.
2. Que tal fazer um caça-palavras com os alunos do ensino fundamental? Você pode usar o nome dos doutores da igreja, suas atribuições e outras palavras que complementam a fixação do ensino sobre a Idade Medieval.

Postagem de Glaucia Dias (glaudiaz@hotmail.com)

Referência Bibliográfica:
SCIENTIFIC AMERICAN HISTÓRIA. A ciência na Idade Média. São Paulo: Duetto, [s.d], n.1, p.60.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Uma apresentação teatral na escola

Abaixo deixo o exemplo de uma peça apresentada na Escola Estadual Maria de Lourdes Câmara Souto, em Natal, por jovens adolescentes. O roteiro é simples e perfeitamente adaptável para crianças mais novas. O tema, a preocupação com o Meio Ambiente, também é relevante historicamente. Vivemos uma época em que urgem medidas e esforços no sentido de preservarmos o planeta. Mas foi assim desde sempre? Quando surgiu essa preocupação? Historicamente falando, nosso tempo é o de maior zelo ou o de maior descuido ambiental?


A Revolta dos recipientes

O catador, à esquerda, vai pegando latinhas e colocando num saco, rabugento.  À direita, instantes depois, surge o médico, bata branca, queixo erguido, prontuário nas mãos, lê...


Médico- Oh, esse daqui já morreu... Dengue hemorrágica! (joga o papel no chão)

O catador, que percebe o gesto do médico, tosse. O médico não o nota, tira uma máquina fotográfica do bolso, encara a paisagem...

Médico- Ah, pilhas velhas! Esqueço sempre de comprar recarregáveis. (tira as pilhas da máquina e joga-as no chão, zangado) Nunca funciona quando a gente quer.
O catador, que mais uma vez percebe o gesto do médico, tosse. Dessa vez com mais força. Mas o médico continua não o notando, e tira um lenço de papel do bolso.

Médico- Ainda por cima essa gripe! (assoa o nariz, tira um sanduíche do bolso) Ai, sanduíche mais podre! Ai, que nojo! (deixa cair o sanduíche e o lenço de papel no chão)

O catador, ainda mais furioso, tosse mais forte ainda. Nesse caso, pode aumentar o número de tossidas. A Terra que presencia toda a ação junto ao fundo da cena, vai ficando mais triste.

Catador- (colocando o saco no chão) basta! (grita) Amigos!
Nesse instante, entram todos os recipientes correndo, rodeiam o médico que parece meio assustado. Pelo contrário, no fundo da cena, a Terra se anima.
Recipientes, Catador- (andando ao redor do médico)
Estamos fartos, estamos fartos
De tanta inconsciência
Jogar o lixo no lugar certo
Não requer nenhuma ciência
Estamos fartos, tomem nota
Lixo em todo lado
Nos rios, nas calçadas, nas portas
Não será mais tolerado

Nesse ponto, vez a vez, um se destaca, chega-se ao médico e grita:

Azul-
Azul é a minha cor
Até criança sabe
Papel, por favor

Vermelho-
Vermelho, seu Horácio,
E não finja que não sabe
Eu sou o lugar do plástico

Amarelo-
Pra mim, por favor, metal
Vestido de amarelo
Levo desleixo a mal

Verde-
Eu sou a cor do vidro
Esse verde bem bonito
Não quero ficar bravo contigo

Marrom-
Marrom, sinhô doutor,
Lixo orgânico, você sabe,
O sanduíche, por favor

Roxo-
E eu sou o mais perigoso
O demônio radioativo
A minha cor é o roxo

Branco-
E eu o lixo hospitalar
Germes, vírus, bactérias
Vou te infectar

Preto-
Eu sou o parente negro
Responsável pela madeira
Cuidado com esse enredo

Cinza-
Sou, doutor, o pior de todos
Cinza, lixo contaminado,
Maltratado morre todo o povo

(todos, menos o médico)-
Estamos fartos, estamos fartos
De tanta inconsciência
Jogar o lixo no lugar certo
Não requer nenhuma ciência
Estamos fartos, tomem nota
Lixo em todo lado
Nos rios, nas calçadas, nas portas
Não será mais tolerado


Nesse momento, o médico foge correndo. Os recipientes saem instantes depois. Em cena fica apenas o Catador, que continua sua tarefa, e a Terra girando feliz.

Cena II

À esquerda, o catador recolhe os detritos, a Terra ao centro, feliz, na direita, um corpo, o médico deitado sobre o chão. Quando o Catador o vê, corre até ele. Verifica o pulso.

Catador- Morto!

Nesse instante, entram os recipientes, cercam-no, e um a um repetem:

- Morto!
- Morto!
- Morto!
- Morto!
- Morto!
- Morto!
- Morto!
- Morto!
- Morto!
Entra a agricultora.

Agricultora- Leptospirose! Leptospirose!

Outros- Leptospirose?!

Agricultora- Leptospirose.
Agrupam-se todos na frente.

Todos-
Estamos fartos, estamos fartos
De tanta inconsciência
Jogar o lixo no lugar certo
Não requer nenhuma ciência
Estamos fartos, tomem nota
Lixo em todo lado
Nos rios, nas calçadas, nas portas
Não será mais tolerado
Estamos fartos! Estamos fartos!




Postagem de Ricardo Barbosa (ricardoalex_78@hotmail.com)
                                                                                                              Dramaturgia de Ricardo Barbosa